“A maçonaria
permite a liberdade de pensamento e de expressão
religiosa e política, e exatamente por
isso acolheu muitos intelectuais e livres pensadores,
inconformados em se subjugar à doutrina
e política impostam pelo catolicismo”.
Ao se sentirem perseguidos,
buscam eles o novo mundo, o mundo novo dos santos,
da liberdade livre do bagaço da inquisição.
Uma das portas de entrada deste novo mundo é
Paraty, porta do Eldorado das Minas Gerais, porta
de entrada para o interior do país, porto
importante e parada obrigatória dos navios
oriundos da Europa, "cidade Livre”.
Em Paraty, arribam e passam
estes forasteiros esclarecidos, ou "iluminados"
(conto lhes chama Pina Munique, intendente da
Rainha D. Maria l, de Portugal, a exercer suas
funções na cidade influindo de forma
decisiva na vida quotidiana dos habitantes e até
na estrutura arquitetônica da vila “)”.
O alinhamento dos prédios, inclusive certas
plantas dentro do esquadro.
Nas mesmas encruzilhadas sobre
os cunhais se encontram faixas decorativas com
elementos a que se atribuem significados: estrelas
de Salomão, estrela de Davi, lua em minguante,
lua em crescente, etc.”.
“A Loja Maçônica de Paraty,
instalou - se em 1834, e se chamava União
e Beleza”.
“Com o fechamento da Loja
União e Beleza, foram doados a Câmara
de Vereadores de Paraty, os sofás e as
almofadas encimadas pela estrela de Davi bastões,
etc. Até hoje este material se encontra
servindo a Câmara de Vereadores de Paraty”.
E em tudo que acabamos de relatar
e expor, sobejam evidências da existência
da maçonaria e sua influência nos
destinos de Paraty “.
Em pesquisa oral, ouvimos de
moradores antigos a versão narrada por
um ex-escravo, chamado Sebastião (pessoa
a quem o pesquisador conheceu quando criança)
de que homens trajados de preto e usando luvas
negras se reuniam na Toca do Caçununga.
– Pesquisando, descobrimos
que os membros do Clube das Luvas Negras, que
eram os justiceiros da Maçonaria e encarregados
de julgar os Irmãos faltosos, se reuniam
em lugares ermos, de preferência nos cemitérios
onde os defuntos não poderiam testemunhar
nada. Curiosamente, na década de 70, num
trabalho de arqueologia, descobriu-se que a Toca
do Caçununga, uma gruta de pedra afastada
da cidade, que é um Sambaqui, era um cemitério
indígena.
E faz uma revelação
surpreendente: – Consta que Silvio Romero,
o grande historiador brasileiro, que foi Juiz
de Direito em Paraty, era membro do Clube das
Luvas Negras, talvez como presidente. Sabe-se
que nos escombros da casa onde ele morou foram
encontrados um avental de Maçom, as luvas
negras e a espada. |