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Foram
os Jesuítas, bispos, vigários e outros dignitários
da igreja católica que possuíam os melhores meios
de condução, animais de montaria, carros de bois,
redes cadeirinhas e liteiras, sempre previdentes
no aproveitamento de recursos que lhes proporcionassem
facilidade de transportes e tranqüila subsistência.
A
liteira de uso freqüente e a liteira rasa,
pequeno coche de couro da Índia, ou a Bangué,
da qual se originou a Banguela, conhecida tanto
na Bahia como no Rio de Janeiro eram utilizadas
nas viagens de pequeno percurso. Antes da chegada
da Família Real Portuguesa no Rio de Janeiro,
em 08 de março de 1808, o transporte de
passageiros e cargas constituía um dos
problemas que afligiam a vida social da capitania.
Além das cadeirinhas, palanque e liteiras
de propriedade particular e só empregadas
numa pequena área da cidade, outros eram
os meios de condução. Usavam-se
os carros de bois e o animal cavalar. Era um período
de ostentação dos senhores em possuir
esse ou aquele animal de montaria, com todos os
seus pertences, selas acolchoadas, cabeçadas,
estribos de prata, freios, rédeas, esporas,
tudo que a arte da equitação exigia,
passando de pai para filho, como eram as jóias
em ouro puro, sinal de nobreza para as mulheres.
No
desembarque da Família Real no Rio de Janeiro,
entre as bagagens do príncipe regente,
estavam duas carruagens e uma delas pertencia
Princesa Carlota Joaquina e outras pertencentes
aos fidalgos, campeiros etc.
Depois
de 1808, com a abertura de novos e melhores caminhos
de rodagem concertadas as ruas esburacadas, removidos
os entulhos que as cobriam e tornavam intransitáveis,
acelerou-se a circulação da cidade
para o interior dos bairros, cuidou-se do calçamento,
limpeza e iluminação da sede da
monarquia lusitana.
Com o novo progresso, também para as viaturas,
surge a idéia de aliviar os solavancos,
suspendendo a caixa sobre as rodas, primeiro por
meio de fortes cordas ou correias presas a haste
de ferro, o que se prolonga até meados
do século XIX, depois, por meios de molas
de ferro e de aço, em arcos conjugados
ou em espiral.
Mais
tarde, inventa-se o jogo dianteiro, que facilita
as curvas, difíceis quando as rodas da
frente eram fixas como as traseiras.
Em
Paraty, são escassas as informações
existentes sobre as viaturas que outrora circulavam
na cidade. Permaneceu até a década
de 70 e ainda foram vistas por muitos paratyenses
as molas em ferro e as rodas correspondentes a
extremidade posterior onde eram colocados os assentos
da viatura que serviu as solenidade da inauguração
do Chafariz do Pedreira, em abril de 1853, quando
o Presidente da Província do Rio de Janeiro,
o Conselheiro Luiz Pedreira de Coutto Ferraz,
veio pessoalmente à Paraty para...”
Assistir a sua abertura, que teve lugar em presença
de muitas pessoas desta côrte”.
Este
carro foi transformado em carroça de lixo,
pela Prefeitura Municipal, o que levou os seus
remanescentes ao desaparecimento total.
Outra
informação, foi a aquisição
feita pelo Sr. Benedito Telmo Coupé, da
família do Sr. José Francisco Pinto
da Silva de uma viatura com capota móvel,
que pelas características descritas pelo
Sr. Benedito Coupê e pela esposa do mesmo
Sra. Aparecida da Silva Coupê, tratava-se
de uma vitória ou faetonte, que infelizmente
foi vendida para um Museu em São Paulo,
segundo os informantes Museu do Ipiranga. Pude
verificar também na residência do
Sr. João José da Silva Júnior
(Jubileu),Morro do Caborê, a existência
de uma lanterna de viatura que foi encontrada
em Paraty, pelas característica e dimensões,
provavelmente seria de uma traquitana de um tilbury
ou caleça.
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